Acalente seu coração com
hábitos irresistíveis
Descubra como se tornar um amigo do peito antes que os remédios tornem-se
necessários
Para
a grande maioria das pessoas, pequenos ajustes no estilo de vida operam
verdadeiros milagres quando o assunto é o colesterol. A dieta, além da
atividade física, tem papel bastante importante nas doenças cardiovasculares
à medida que modulam a produção de colesterol e triglicérides e os níveis de
glicemia do organismo, diz o cardiologista Juliano de Lara Fernandes, do
Instituto do Coração, em São Paulo.
Pesquisas mostram que uma dieta adequada reduz em 13% o nível dele no
sangue. E isso significa não só incluir nutrientes aliados do peito no
cardápio, mas também reduzir a quantidade daqueles que ameaçam o coração no
caso, principalmente os mais ricos em gordura saturadas, aquelas de origem
animal, e gorduras trans (processadas industrialmente, encontradas em
frituras comerciais, recheios de bolachas, etc). Essas gorduras aumentam os
triglicérides e o colesterol LDL, o ruim, além de reduzir o colesterol HDL,
o bom, no caso das
gorduras trans , explica o médico. Por outro lado, uma dieta rica em frutas,
verduras e gorduras polinsaturadas tem efeito contrário, reduzindo a chance
destas doenças. Para piorar, uma dieta carboidratos e gorduras
desbalanceados aumenta a chance de intolerância à glicose e diabetes.
A boa notícia para esses pacientes veio de uma pesquisa feita na
Universidade de São Paulo. Os autores desenvolveram um sistema de pontos
para os alimentos, facilitando a vida de quem precisa controlar o que leva
ao prato. No caso, o que importa é a somatória alcançada ao longo do dia e
não exatamente o que você come. Isso permitiu mais liberdade à mesa e uma
melhor adesão à dieta dessa gente. A alteração de colesterol e o diabetes
são fatores de risco que aumentam a chance de infarto, angina e derrames
cerebrais , lembra Juliano Fernandes.
Mas de nada adianta rechear o cardápio de alimentos saudáveis sem adotar uma
rotina de atividade física. Os exercícios, principalmente os aeróbicos,
reduzem o LDL, o mau colesterol, ao mesmo tempo que elevam o HDL, o bom.
Para obter o benefício, devem ser praticados regularmente, por pelo menos 40
minutos três vezes por semana.
O engenheiro mecânico Gustavo Teixeira, de 34 anos, notou na pele os
benefícios de simples ajustes na rotina. Com um histórico familiar de
infartos, ele estava muito acima do peso e precisava reduzir drasticamente o
colesterol para evitar complicações futuras. O médico recomendou uma intensa
mudança de vida durante três meses se isso não surtisse efeito, a saída
seria partir para os remédios. Então, além de praticar corrida três vezes
por semana, o engenheiro passou a investir nas carnes magras, saladas e
frutas. Além disso, incluiu generosas porções de aveia misturadas às frutas.
Tudo sem riscar completamente do cardápio queijos, ovos e doces consumidos
com extrema moderação. "Nesse período perdi dez quilos e meu colesterol
estacionou em níveis saudáveis" , comemora ele.
Confira, a seguir, os alimentos que não podem faltar na sua despensa. E a
Ciência não pára de descobrir novas virtudes deles.
1. Aveia: seus poderes já estão mais do
que comprovados. Suas fibras solúveis, presentes também na maçã e no bagaço
da laranja, tiram o mau colesterol de circulação. 2. Soja: este alimento é uma verdadeira
farmácia. A proteína dela faz os receptores do fígado atraírem a gordura.
Suas isoflavonas combatem a formação da placa e os fitosteróis competem com
o colesterol diminuindo sua absorção. Para tirar proveito dela, recomenda-se
consumir 25 gramas de proteína de soja todo dia o equivalente a 100 gramas
de soja cozida ou um copo de leite de soja. 3. Antioxidantes: encontrados nas frutas
e verduras ricas em vitaminas C, E e betacaroteno. Eles impedem a oxidação
do LDL, que está por trás da formação das placas de gordura. 4. As gorduras boas: as tais mono ou
poliinsaturadas são reconhecidamente aliadas do peito. Presentes nos óleos
vegetais, na azeitona, no abacate e nas oleaginosas como nozes e castanhas,
as mono reduzem o colesterol total sem alterar o HDL. Já as poli, presentes
em vários óleos vegetais diminuem a produção do colesterol. Aqui entram
também os aclamados ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, presentes nos peixes de
águas frias como o salmão. 5. Álcool: estudos recentes mostraram
que não só o vinho tinto, como já se sabia, mas várias bebidas
alcoólicas têm efeito protetor. Mas atenção: somente em pequenas doses, o
equivalente a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho por dia. Acima disso,
o álcool tem efeito contrário.